terça-feira, 21 de maio de 2019

16.

Chamo "Amor?" na intenção de achar você
Mas me encontro só...

21.05.19 [Em: Metrô - linha 2 - Pernambués]

segunda-feira, 13 de maio de 2019

15.

QUIÇÁ

Eu entrei e me acomodei lá
Usei o seu corpo, o seu quarto, o seu sapato
Banhei-me da sua água, usei a sua toalha
Tinha uma camisa que eu adorava e era perfeita a forma que encaixava em mim

Eu olhava em seus olhos e me via
Tocava a sua pele e te sentia
Sentia...
Sem ti a vida não existia.

De tanto casa, quarto
De abraços, espaços
Resolvi mudar.
Talvez a sua casa não seja o meu lar.
Talvez a sua casa não seja o meu lugar.

13.05.19 [Em: sala de aula.]

14.

POESIA

Hoje eu acordei com as pernas de um pedaço de gente sobre o meu corpo. Acordei e fiquei admirando o quão bem aquele ser me faz. Ontem ela me disse: "Não me chame mais de bebê, Mari. Eu já tenho nove anos." e como essa frase pesou, foi como apanhar de uma pena. Como eu não poderia ver aquela obra prima de Deus, que há pouco tempo tinha nascido, que mal conhecia as maldades do mundo, que mal vivera e não tratar e chamar de bebê?

Dormimos. Levantei. Voltei para a cama. E abracei um pequeno (não tão pequeno assim) ser humaninho e senti o cheiro de um suor de repouso e o hálito da vida. Paz. Foi o que eu senti. Me virei e por um momento voltei a pensar nos problemas de gente grande e me desejei ser um bebê, ser tratada como um bebê e ter responsabilidades de um bebê. Oh, meu amor, ser bebê não é tão ruim assim. Acredite.

Enquanto eu fechava os olhos sem pensar em nada, senti uma proximidade, pequenas mãos sobre a minha cintura, me abraçando e encostando a cabeça nas minhas costas. Como eu queria tirar uma foto daquele momento... mas o celular não estava perto. Por um momento pensei em levantar, mas seria um pecado contra o universo a quebra desse fluxo da vida.

Continuei de olhos fechados. Registrei aquele momento da melhor forma possível: sentindo. Sentido. Não sei quanto tempo durou, mas sei que foi o suficiente para saber que aquele sentimento foi registrado na imensidão do meu eu.

Ela acordou. Senti que me olhou. Levantou. Se espriguiçou colocando para fora a noite e absorvendo a energia da vida. Eu levantei com medo, mas não chorei, nem reclamei. Cumprimentei. Abracei e guardei pq eu sei que vai ser uma coisa sua que vai ficar em mim.


Você não é mais um bebê e está sendo difícil aceitar que você está crescendo, que cada vez mais está se tornando uma criança independente e que não há mais necessidade de ter alguém limpando a sua bundinha e foi o legado que eu deixei para você. Que você pode limpar a sua bundinha de cocôzinho, e mais que isso, te ensinei como fazer. E é isso que eu quero que você continue sendo... uma menina que tenha coragem, ousadia, que seja independente, autossuficiente. Mas nunca esqueça que, quando você não souber, você vai ter a mim para te ensinar e te ajudar a fazer o que vc precisar. Mesmo que seja coisas difíceis.  ❤️

04.05.19 [Em: meu quarto.]

sábado, 4 de agosto de 2018

13.

FODA

Despida.
Desnuda.
Transcendental.

Nós dois:
Fogo.
Tensão.
Gozo.

Eu sentia o seu toque através do olhar
E me abri
De mente e alma
E como uma transa
Nos uníamos como se fôssemos um.

... até que ...
Ao invés de voz,
silêncios.
E em troca de abraços,
E S P A Ç O S.

Hoje...
Nós dois:
Cinzas.
Distensão.
Decepção.
Sofrimento.
Dor.

04.08.18 [Em: meu quarto.]

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

12.

POSSO DA VIDA

Acordo e as folhas me olham com lágrimas
E no poço que dá vida pego água
E da vida que tomo cresce a existência
Do ser que nasceu pra morrer

Volto ao mundo e aqui fico escrevivendo sobre um plantador
Que andava por aí
Morto
Exilado
Solitário...

Parei.
Vi da janela um dia lindo pra chover
Saí.
E da vida me submergi
E na morte renasci.

13.06.18. [Em: no ônibus.]


sexta-feira, 3 de março de 2017

10.

MENINA MULHER

Menina é moça
Com desejos, anseios e medos
Do que tens medo, menina moça?
Talvez da condenação ou do inferno.

Menina é moça
"Menina é moça, não pode ter sonho assim" Disseram-na
Tanto pode que ela sonhava
E sonhava
E sonhava
Os sonhos da Menina, que é moça, eram desejos
... desejos presos

Menina é moça
Ingênua sim, inocente jamais
Menina é moça, mas não queria mais
Ela queria experimentar a vida
Viver os seus desejos e os seus anseios
Vive, menina!

Menina que era moça agora é Menina, mas mulher
Menina viveu
Comeu o que queria comer
Deu seu coração
Não só viveu...
Viveu intensamente
Não se arrependeu
E viveu feliz.

03.03.17 [Em: meu quarto]


segunda-feira, 20 de julho de 2015

9.

COISA

"Uma vida sem graça e cheia de medo era tudo que eu possuía. Uma vida sem emoções e sem sentido. Medo de amar, de ser amada, medo de animais, medo do escuro, medo de ficar só, medo de morrer, medo de me arrumar, medo de ser feliz. Medo. Medo. Medo... Meus pais sempre diziam: "– Filha... pra quê uma vida melhor que essa?" E eu sempre afirmava.. com aquele velho sorriso de palhaço. Não importava o nível da minha tristeza, eu sempre sorria e isso era "bom". Por mais que eu tivesse tudo, ainda faltava algo, e sinceramente!? Não sabia o que era. Poderia ir da falta de amor até a falta de comer um Subway com carne de frango defumado, com um copo de 500 ml de Coca-Cola. Saí de um lugar para ir a outro, como sempre fazia, naquela velha rotina. Decidi pegar um ônibus diferente e essa foi uma das melhores decisões que tomei em minha vida. Peguei este ônibus, que mais me parecia uma carroça de tão velha e acabada que era. Sentei perto da janela e torci para que ninguém sentasse ao meu lado, ninguém sentou e eu me senti ridícula e fedorenta (Só podia!). Estava chuviscando, coloquei um pouquinho da cabeça para o lado de fora, sobre o braço e fiquei pensando eu muitos "nadas". A pista estava molhada, pois havia chovido anteriormente e aquela carroça, vulgo: ônibus, corria tanto, mais tanto, que pensei que ele iria desmontar e todos nós morreríamos. O ônibus não desmontou, contudo, de fato todos nós morremos... todos os medos foram mortos naquele instante. Meu cabelo crespo balançava ao vento e eu sentia os pequenos pingos na minha face, que sensação maravilhosa! Olhava pelo meus óculos pingados de chuvisco e via os carros andando como se flutuassem na pista de tão veloz, o mundo parou naquele momento e aquele show era apenas para mim e de mais ninguém. Não conhecia muito sobre o que era sentir adrenalina, emoção e liberdade, mas naquele momento aquela "carroça" me mostrou o que era. Não era um amor, tão pouco um subway, era uma coisa que eu não consegui definir por meio de palavras... mas era a minha "coisa". " 


sábado, 11 de abril de 2015

8.

DOCE (conto)

Era uma vez ... dois velhos. Casados há mais tempo do que o mundo foi criado. Eram felizes sim, felizes, velhos e casados. Viviam numa casa sombria, triste, empoeirada, cheia de plantas sobre a telha, tinha um gata safada, pequenos roedores e alguns parasitas que já eram considerados da família. Eles se conheceram quando ela estava doente, em juventude, numa clínica, foi amor à primeira vista. Sua vida toda foi um em função do outro, iam dormir juntos, Vozete tricotava e ele segurava o barbante, Vozete lavava e ele enxugava, ele trocava a lâmpada Vozete segurava a escada para que ele não caísse, eram um cuidado que só. O que ele dizia era que quando novo já trabalhou de tudo, pedreiro, padeiro, atleta, patinador de gelo e até fez uns bicos informais como médico numa clínica psiquiátrica. Já ela, nunca estava em casa de tão doente que ficava. Eles tinham filhos, tinham amigos e animais mas todos foram embora exceto eu e uma velha amiga de Vozete.  
            Damiana, amiga da velha senhora, em sua juventude era linda, lábios carnudos, nariz largo, cabelos longos, negros e sedosos, típicos de descendentes de índios, negros e portugueses, pele clara, rígida, corpo sarado com curvas de deixar qualquer um babando em seus pés. Mesmo com o passar dos anos, a amiga da velha senhora tinha continuado belíssima, exceto seus seios, um pouco murchos, mas nada que um sutiã não suspendesse. Elas se conheceram ainda na infância mas pouco se viam, contudo, quando viam-se, era uma alegria retada, brincavam juntas, comiam juntas, tomavam banho juntas, até deram seu primeiro beijo juntas com dois garotinhos do 6º ano. Na juventude, com seus 18 anos, a velha senhora, que anteriormente era uma jovem senhorita, conheceu o senhor ao qual veio a ser seu marido, apresentou a sua amiga e ficaram felizes, pois, uma delas casaria. A velha senhora passou anos fora, com isso a relação entre elas foi cortada pela distância, algumas décadas depois Vozete voltou, com seu marido e filhos a fim de rever sua amiga, que se tonara uma velha.
            Na sexta-feira santa, que de santa só tem o nome, a doce velhinha deu um jantar para seus filhos e a amiga do casal. Fizeram uma comida de lamber os beiços, arroz branco, caruru, vatapá, feijão fradinho, frango cozido, moqueca de peixe e um vinho do mais pior que existe, São Jorge, daqueles que é tiro e queda. Vestido branco, encardido e uma sandália gasta ornamentava a Vozete, seu marido, sempre fino e elegante trajava-se com um paletó preto, blusa branca, gravata borboleta vermelha, sapatos pretos brilhantes e um relógio de ouro, oh mulher boa, fazia questão de deixar o seu velhinho um gato. O jantar fora marcado para ás 19:00, ninguém chegou, mas já sabemos que ninguém chega cedo. Passou-se 19:30; 19:50; 20:00; 20:10 e ninguém chegou ainda, logo após a campainha tocou, foi Damiana.
            A mesa de jantar era comprida, como não havia muitos convidados, todos sentaram-se próximos, o velhote no centro, Vozete em um lado e Damiana no outro. Comeram, beberam, riram, conversaram, e falaram até sobre o que não deveriam falar. Ao findar o jantar, Vozete e Damiana retiravam a mesa morrendo de rir, como crianças, ao lembrar da infância, em especial, quando Vozete apertou carinhosamente um passarinho no quintal de sua casa. O pássaro era uma beija-flor, fascinante de lindo com suas penas coloridas, predominantemente amarela, com seu bico afilado, ao qual pegara enquanto o beija-flor bebia água. Foi uma ação rápida (In memoriam). Terminaram de arrumar a cozinha e elas decidiram tomar um café com pão de queijo, Vozete portando, continuou na cozinha a fazer o de comer, como sempre, sussurrando suas cantigas. A doce velhinha ouviu um forte barulho da gata safada, que estava no siu, acompanhado de um ruído no piso de madeira da casa, ela foi no banheiro e voltou a cozinhar. O barulho parava, voltava, parava, voltava, e ela por sua vez, já estava incomodada com isso. Além do café e do pão de queijo, Vozete preparou um doce de coco gelado com amendoim, igual como Damiana fazia quando mais novas, também, a única coisa que ela sabia fazer.
            Já preparados ela chegou na sala, o velhote estava abafado, desarrumado, ela preocupou-se com sua saúde e não permitiu que ele comesse dos petiscos. Damiana, voltando do banheiro, se arrumou para quando fosse embora, sentou-se no sofá, tomaram café, comeram o pão de queijo, Damiana comeu o doce e depois morreu. Foi uma ação rápida (In memoriam). Ao pegar a bolsa do presunto, Vozete encontrou uma foto antiga de seu marido com Damiana, atrás dizia “Eu sempre te amei.”.
Ela disse: - Que Deus a tenha, Daminha!

E depois viveram felizes para sempre. Velhos. Casados há mais tempo do que o mundo foi criado. Eram felizes sim, felizes, velhos e casados.

- Mariane Lima

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

7.

DESEJO

Que carência ...
Que desesperadora vontade ...
Vontade de beijar teus lábios
Lábios aparentemente doce
Lábios que eu amaria descobrir o sabor

Meus pensamentos estão tão em você quanto uma lua no céu
O desejo por ti não cessa
Seu sorriso me encanta
Seus risos são músicas para os meus ouvidos
Te desejo a todo instante ...
Não cessa ...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

6.

AMORECO
Sentimentos florescem
O mundo me corrói
Parte do meu coração (ainda de carne)
Tremem as pernas, mãos suadas
Falo ou não ?
Eis a questão.

O tempo passa mas o amor continua
Será que não esquecerei ?
Noite perdidas, sorrisos bobos, preocupações
Será que sim ? Não ?
Cabe ao tempo responder
Se tiver que ser...ah ...

Vai ser                 

                                                       
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