COISA
"Uma vida sem graça e cheia de medo era tudo que eu possuía. Uma vida sem emoções e sem sentido. Medo de amar, de ser amada, medo de animais, medo do escuro, medo de ficar só, medo de morrer, medo de me arrumar, medo de ser feliz. Medo. Medo. Medo... Meus pais sempre diziam: "– Filha... pra quê uma vida melhor que essa?" E eu sempre afirmava.. com aquele velho sorriso de palhaço. Não importava o nível da minha tristeza, eu sempre sorria e isso era "bom". Por mais que eu tivesse tudo, ainda faltava algo, e sinceramente!? Não sabia o que era. Poderia ir da falta de amor até a falta de comer um Subway com carne de frango defumado, com um copo de 500 ml de Coca-Cola. Saí de um lugar para ir a outro, como sempre fazia, naquela velha rotina. Decidi pegar um ônibus diferente e essa foi uma das melhores decisões que tomei em minha vida. Peguei este ônibus, que mais me parecia uma carroça de tão velha e acabada que era. Sentei perto da janela e torci para que ninguém sentasse ao meu lado, ninguém sentou e eu me senti ridícula e fedorenta (Só podia!). Estava chuviscando, coloquei um pouquinho da cabeça para o lado de fora, sobre o braço e fiquei pensando eu muitos "nadas". A pista estava molhada, pois havia chovido anteriormente e aquela carroça, vulgo: ônibus, corria tanto, mais tanto, que pensei que ele iria desmontar e todos nós morreríamos. O ônibus não desmontou, contudo, de fato todos nós morremos... todos os medos foram mortos naquele instante. Meu cabelo crespo balançava ao vento e eu sentia os pequenos pingos na minha face, que sensação maravilhosa! Olhava pelo meus óculos pingados de chuvisco e via os carros andando como se flutuassem na pista de tão veloz, o mundo parou naquele momento e aquele show era apenas para mim e de mais ninguém. Não conhecia muito sobre o que era sentir adrenalina, emoção e liberdade, mas naquele momento aquela "carroça" me mostrou o que era. Não era um amor, tão pouco um subway, era uma coisa que eu não consegui definir por meio de palavras... mas era a minha "coisa". "
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